A Casa Angaí foi criada para receber a sede do Angaí Projetos, iniciativa independente dedicada ao desenvolvimento de projetos socioculturais. A reforma parte da necessidade de transformar uma casa em Pinheiros em um espaço de trabalho que se aproximasse da identidade do grupo.
A proposta não buscou caracterizar o escritório a partir de uma estética indígena. Em vez disso, referências presentes no trabalho do grupo foram incorporadas de maneira mais sutil, por meio da materialidade, da relação entre os ambientes e da possibilidade de expor objetos, artesanatos e grafismos que fazem parte de seu repertório, especialmente aqueles ligados ao povo Kadiwéu.
Uma das primeiras intervenções foi a substituição do piso vinílico existente por um revestimento cerâmico em tom terracota. A madeira aparece em diferentes elementos da casa, estabelecendo uma base para a presença dos objetos e obras que serão incorporados ao longo do tempo.
No térreo, parte da sala de estar foi destinada à exibição de conteúdos audiovisuais produzidos pelo grupo, enquanto outros trechos receberam superfícies e mobiliários que permitem apresentar cestarias, objetos e grafismos. No pavimento superior, um antigo closet foi transformado em sala de trabalho para os colaboradores, e grandes estantes foram desenhadas para acomodar os objetos trazidos pelo grupo, não apenas como elementos decorativos, mas como parte de seu repertório de trabalho.
A organização da casa considera a relação entre percurso, permanência e descoberta, com diferentes materiais e referências aparecendo ao longo do deslocamento. A ideia de repetição com variação, presente na pesquisa sobre os grafismos Kadiwéu, também orientou algumas escolhas do projeto.
A Casa Angaí foi pensada, portanto, menos como uma representação de uma cultura e mais como um espaço capaz de abrigar e dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelo grupo.



