A primeira loja da Juci Brownie marcou uma nova etapa de sua trajetória. Depois de crescer a partir de uma produção artesanal conduzida pela própria Juci, com a participação do marido e da irmã, e conquistar clientes por meio dos aplicativos de entrega, surgiu a oportunidade de ocupar um espaço físico em uma pequena galeria de Pinheiros.
Mais do que projetar uma loja, o desafio era traduzir para o espaço a identidade que a marca já havia construído. O caráter artesanal da produção, a proximidade com os clientes e a linguagem presente nas embalagens em papel kraft orientaram as decisões do projeto desde o início.
Como a execução seria conduzida pelos próprios proprietários, o projeto foi desenvolvido a partir de soluções construtivas simples, materiais acessíveis e uma lógica de montagem direta. O compensado naval tornou-se o principal elemento da marcenaria, compondo nichos expositores, áreas de armazenamento e o mobiliário de apoio. Na bancada de atendimento, os azulejos em tom vinho estabelecem uma relação com a identidade visual da marca.
O pavimento térreo concentra o atendimento ao público, a exposição dos produtos e a bancada de preparo dos pedidos e do café servido aos clientes. No mezanino, concentram-se a cozinha de produção e o estoque, liberando a área principal para o funcionamento da loja.
Outra decisão importante dizia respeito ao pano de vidro localizado nos fundos da loja, voltado para a rua. A proposta foi manter a fachada de vidro aparente, aplicando de forma discreta a identidade visual da marca — além de permitir luz natural, essa escolha torna a loja mais presente na paisagem urbana. O projeto não criou uma identidade para a Juci Brownie; ele deu forma a uma identidade que já existia.





